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Herval tem Capoeira como instrumento de Cidadania 

11 AGO 2017
11 de Agosto de 2017

Um esporte que não precisa de grandes estruturas pra ser praticado, une classes, ultrapassa preconceitos e pode mudar a realidade de quem pratica. Assim se pode definir um pouco da história da Capoeira no Brasil. Modalidade que hoje atinge mais de 100 pessoas no município, através do Projeto da Casa das Oficinas CTRL - A, financiado pelo CRAS e Assistência Social. O projeto oferece de forma gratuita oficinas de diversas modalidades, no caso da Capoeira, ministradas na CTRL - A, Casa das Oficinas, no Polo de Educação Infantil e também no grupo de idosos, faixas etárias que vão dos 04 aos 80 anos.

A ideia da implantação da Capoeira no município segundo o Assessor para Políticas de Cidadania Cultural e Artística e Coordenador da Casa das Oficinas, Chico dos Santos, surgiu a partir de um estudo de demandas com o objetivo de atingir mais pessoas através das modalidades oferecidas. A capoeira foi eleita e já tinha iniciado os trabalhos com o contramestre Jarrão, que devido a compromissos fora do país teve que deixar o projeto. Uma lacuna que visivelmente precisava ser preenchida. Uma batalha que chegou ao final através do contato com o professor de Educação Física e Capoeirista Ítalo de Paula, que firmou essa parceria com Herval quando gratuitamente participou da 1ª e 2ª Semana da Cultura promovida pela Assessoria.

O professor Ítalo atende há oito meses a Casa das Oficinas – CTRL A. Afirma e comprova através de seus métodos de ensino, estudo e prática, que a capoeira é benéfica em todos os sentidos, tanto para quem prática, quanto para os atores envolvidos. O desenvolvimento cognitivo – conhecimento -, coordenação motora, equilíbrio, concentração, trabalho em grupo, comportamento na escola, com a família e com os amigos entre outras competências, desenvolvidas pelas habilidades e atividades que são realizadas através de jogos, brincadeiras, movimentos e golpes, musicalidade através de instrumentos como o pandeiro, berimbau e maculelê, e todo o processo de envolvimento através dos cânticos e da oralidade.

- Para o melhor desenvolvimento das oficinas utilizo o método de ensino Piagetiano - Jean Piaget (1896-1980), que trabalha o desenvolvimento do conhecimento analisando as faixas etárias, porém, respeitar o tempo de cada aluno é essencial, por exemplo, uma criança de três anos poderá realizar o mesmo movimento de uma criança de cinco e vice versa. O mais importante neste processo é que o aluno entenda que possa aprender do seu jeito e tenha interesse em continuar o processo, explica.

Lúcio de 07 anos participa do projeto no contraturno escolar, está na oficina desde outubro de 2016, para ele o mais legal de tudo é realizar os movimentos que aprendeu. Fala graciosamente que o que mais gosta é o movimento “AÚ”, o que parece simplesmente a brincadeira de virar estrelinha. Um dos movimentos mais usados na capoeira que permite aproximar-se ou afastar-se do oponente, armando ataques e executando defesas. Lúcio conta também que seu comportamento melhorou um pouco depois de participar das oficinas e que vai seguir no projeto.

Sophia de 06 anos, foi à última a entrar nesta turminha de contraturno, pela manhã, em duas semanas que participa está muito contente e o melhor de tudo é o professor que ensina coisas muito legais.

A professora de Educação Infantil Iádia Martins Peres fala sobre a importância das atividades físicas no desenvolvimento dos pequenos e explica que este projeto é de suma importância e faz muita diferença na sala de aula. Ela conta que todas as semanas suas duas turmas Jardim (até 04 anos), e Pré (entre 05 e 06), participam das oficinas, porque entende que este aprendizado que é passado de forma lúdica será levado para a vida toda.

- É visível a melhora na coordenação motora ampla, a oralidade e a imaginação também estão mais aguçadas, por conta dos exercícios que contemplam a psicomotricidade, avalia a Professora.

#Um pouco da história da Capoeira

A capoeira tem suas raízes africanas e foi trazida para o Brasil colônia de Portugal, por volta de 1500, século XVI, em que se utilizava a mão-de-obra escrava africana, principalmente nos engenhos de açúcar do nordeste brasileiro.  Até 1930, a capoeira era proibida no Brasil, vista como uma prática violenta e subversiva. A polícia recebia orientações para prender os capoeiristas que praticavam esta luta. Em 1930, um importante capoeirista brasileiro, mestre Bimba, apresentou a luta para o então presidente Getúlio Vargas. O presidente gostou tanto desta arte que a transformou em esporte nacional brasileiro.

Em 26 de novembro de 2014, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), declarou a roda de capoeira como sendo um patrimônio imaterial da humanidade. De acordo com a organização, a capoeira representa a luta e resistência dos negros brasileiros contra a escravidão durante os períodos colonial e imperial de nossa história. É comemorado em 3 de agosto o Dia do Capoeirista.

#Estilos

Três estilos diferenciam nos movimentos e no ritmo musical de acompanhamento. O estilo mais antigo, criado na época da escravidão, é a capoeira angola. As principais características deste estilo são: ritmo musical lento, golpes jogados mais baixos (próximos ao solo) e muita malícia. O estilo regional, criado por Mestre Bimba, caracteriza-se pela mistura da malícia da capoeira angola com o jogo rápido de movimentos, ao som do berimbau. Os golpes são rápidos e secos, sendo que as acrobacias não são utilizadas. Já o terceiro tipo de capoeira é o contemporâneo, que une um pouco dos dois primeiros estilos. Este último estilo de capoeira é o mais praticado na atualidade. Porém é importante ressaltar que capoeira é uma só, a Capoeira de Angola, considerada a mãe dos outros estilos e mais próxima da capoeira jogada pelos escravos africanos.

 

Texto e fotos: Fernanda de Freitas

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